Antibioticoterapia-em-cardiopatas

Cardiopatias e profilaxia antibiótica

As cardiopatias mais comuns são:  

Hipertensão arterial sistêmica, infarto agudo do miocárdio, arritmias , doença cardíaca isquêmica, angina do peito, insuficiência cardíaca, febre reumática,  endocardite bacteriana, doenças congênitas.

O cirurgião dentista deve ter alguns cuidados necessários ao atendimento de pacientes com essas alterações cardíacas. Esses cuidados se baseiam no conhecimento da doença para: utilização de profilaxia/terapia antibiótica, escolha do anestésico local – sais e vasoconstritores, prescrição medicamentosa, controle do sangramento pós-cirúrgico.

É de grande importância que o dentista, na primeira consulta, afira a pressão arterial, frequência cardíaca e frequência respiratória para se obter os valores basais do paciente.  A partir da segunda consulta, é imprescritível fazer nova aferição sempre que o tratamento exigir anestesia local. A medição pode ser realizada com qualquer modelo de aparelho, desde que esteja calibrado, no mínimo, uma vez por ano.

O atendimento de pacientes com doenças cardio-respiratória deve ser feito  preferencialmente no período da manhã, em consultas de curta duração, e deve-se evitar o máximo de estresse possível, para que a pressão arterial não aumente. Pode se optar por técnicas de sedação quando necessário e, se preciso, realizar o atendimento em ambiente hospitalar.

Pacientes infartados há menos de 6 meses precisam de atendimento odontológico sob anestesia geral.

A profilaxia antibiótica é definida como o uso de antimicrobianos para prevenir infecções em situações clínicas de alto risco. É um regime de antibiótico, de dose única e alta miligramagem, usada antes de procedimentos cirúrgicos odontológicos, em pacientes de alto risco para evitar que o paciente adquira uma endocardite infecciosa.

A  American Heart Association nos propõe que para evitar uma endocardite bacteriana, realizar a profilaxia antibiótica com Amoxicilina (2 g) – 4 cápsulas de 500 mg 1 hora antes da intervenção. E os pacientes alérgicos a penicilina utilizar a Eritromicina, azitromicina ou clindamicina.

A avaliação para se definir o uso ou não da profilaxia antibiótica baseia-se no princípio “tipo de paciente x procedimento x risco de bacteremias”. O tipo de paciente inclui pacientes com patologias que geram um fluxo sanguíneo turbulento, os procedimentos de risco são os que geram sangramento por manipulação tecidual, o risco de bacteremia ocorre em até 30 minutos do sangramento inicial.

A endocardite infecciosa trata-se uma doença grave, o risco de morte quando ela ocorre não deve ser desconsiderado. Sabe-se que algumas patologias cardíacas predispõem o paciente à esta infecção, quando estes pacientes sofrem bacteremias de origem bucal. Pode-se definir bacteremias como a invasão de grande quantidade de microrganismos em um curto espaço de tempo. As bacteremias que predispõem à endocardite infecciosa são as de origem odontogênica, genitourinária e gastrointestinal por terem flora microbiana capaz de provocar infecção no coração.

Tende a ocorrer muito mais por exposições frequentes a bacteremias aleatórias associadas a atividades diárias do que por bacteremias associadas aos procedimentos odontológicos, gastrointestinais e genitourinários. Por isso, se discute na literatura se existe uma validade clínica desta prescrição.

Os comitês internacionais chegaram a um consenso sobre o uso restrito da profilaxia antibiótica. A manutenção de ótima saúde bucal e higiene deve reduzir a incidência de bacteremias decorrentes das atividades diárias e é mais importante que a profilaxia antibiótica prévia a procedimentos odontológicos. Esta afirmação deve ser entendida no contexto geral de pacientes e aplicada com cautela aos pacientes de alto risco para esta infecção.

Procedimentos odontológicos que exigem profilaxia antibiótica:

  • Todos os procedimentos odontológicos que envolvem manipulação de tecido gengival, ou da região periapical dos dentes, ou perfuração da mucosa bucal.

Os procedimentos que não exigem profilaxia são:

  • Anestesia dental através de tecido não infectado, radiografias dentais, instalação de prótese removível ou de aparelho ortodôntico, ajuste de aparelho ortodôntico, colagem de bráquetes ortodônticos, esfoliação de dentes decíduos, sangramento dos lábios e mucosa bucal por trauma.

A presença de focos infecciosos na cavidade bucal é a maior evidência de um fator de complicação pós-operatória. As bacteremias odontogênicas aumentam significativamente na presença destes focos infecciosos, como na doença periodontal, lesões endodônticas, lesões bucais traumáticas e infecciosas.

Embora a ocorrência de bacteremias seja relatada com mais frequência durante a realização de procedimentos odontológicos, estas ocorrem com frequência similar durante hábitos de higiene oral e mastigação. Por esses motivos, é recomendável a averiguação da saúde bucal com a intervenção do cirurgião-dentista para a eliminação dos focos infecciosos e controle intensivo de higiene oral dos pacientes internados, previamente a procedimentos cirúrgicos em cardiopatas ou não, visando a diminuir as complicações trans e pós operatórias.

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