Cuidados que o dentista deve ter com pacientes diabéticos

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Cuidados que o dentista deve ter com pacientes diabéticos

Diabetes e a Odontologia

Diabetes melittus (DM) é um distúrbios metabólicos que tem como principal consequência a hiperglicemia (aumento da glicose no sangue), esta, quando mal controlada, pode levar a uma série de repercussões sistêmicas graves. Perda da visão, grande prejuízo para a circulação sanguínea de membros inferiores podendo levar a sua perda, exacerbação das infecções e inflamações, retardo no processo cicatricial etc.

Os tecidos orais do paciente com diabetes têm muito mais dificuldades para voltar ao estado de normalidade (cicatrizar) após uma cirurgia, as infecções são agudizadas (ficam mais intensas e com mais pus) e existem pesquisas que indicam que a via é de mão dupla, ou seja, a diabetes agudiza as infecções e estas, por sua vez, colaboram com o aumento da glicemia no sangue.

Relato de caso: Paciente TS 65 anos nos procurou porque estava insatisfeita com a estética. A avaliação clínica nos mostrou que os implantes, feitos por outro colega, estavam com as espiras expostas e muito contaminados, havia supuração ao redor das espiras e a paciente relatou que a glicemia estava muito acima do normal.

 

Boca de uma paciente com diabetes os implantes estavam com pus

 

Fizemos o acesso cirúrgico e limpamos com clorexidina e escova estéril, lavamos com soro estéril e suturamos. Refizemos a prótese de forma que permitisse a higienização e melhorasse a estética. Concomitantemente, a endocrinologista da paciente estava tentando descobrir outras prováveis causas. Resultado: A endocrinologista não encontrou causas aparentes para o aumento da glicemia, porém, com o passar do tempo, o açúcar no sangue diminuiu. Não podemos afirmar com certeza se houve relação direta com a infecção bucal, porém, observações clínicas e alguns trabalhos científicos apontam para essa direção.

3 a 4 % dos pacientes adultos atendidos no consultório odontológico são portadores de diabetes. A anamnese deve investigar se o paciente é acometido por esse distúrbio ou se existe indícios de que ele possa estar presente.

Existem dois tipos de diabetes: o tipo 1 e o tipo 2.

A diabetes tipo 1 ou juvenil, é causada pela deficiência de produção de insulina pelo pâncreas. A insulina é a substância responsável pelo carreamento (passagem) da glicose para o interior das células.

A tipo 2, ou adquirida, é mais comum em adultos e se caracteriza pela incapacidade da célula de transferir a glicose para o seu interior. Quer pela produção insuficiente de insulina quer por um mal funcionamento dsse carreador.

Sintomas clássicos de um paciente DM1: poliúria (aumento de volume urinário), polidipsia (sede excessiva), polifagia (aumento da fome), perda de peso e cetoacidose diabética.

O DM2 apresenta um elevado índice de pessoas assintomáticas ocasionando um diagnóstico tardio. Sintomas: turvação na visão, sonolência , dores, câimbras, dormência dos membros inferiores, indisposição no trabalho, cansaço e desânimo.

As principais manifestações bucais são a exacerbação da doença periodontal e infecções e xerostomia (boca seca). As menos comuns são abcessos recorrentes, hipoplasia ou hipocalcificação de esmalte, glossodínia (síndrome da ardência bucal), distúrbio de degustação, líquen plano, tumefação das glândulas salivares e perda óssea alveolar.

O cirurgião dentista que desconfiar da presença da doença, deve solicitar o exame de glicemia em jejum (avalia a glicemia só no momento da coleta do sangue) ou o exames mais precisos como o de hemoglobina glicada (indica uma média da glicemia nos últimos 3 meses, portanto, bem menos sujeita a variações momentâneas)

Se o diagnóstico for confirmado pelos exames, o paciente deve ser encaminhado para o endocrinologista.

Os cuidados que o cirurgião dentista deve ter com seu paciente diabético são: modulação da inflamação com uso parcimonioso de anti-inflamatórios não esteroidais (se o paciente não apresentar problemas gástricos nem renais mesmo assim o médico deverá ser consultado) como mediação pós operatória,  uso de antibióticos em cirurgias para minimizar o risco de infecções (mesmo assim avaliar o relação custo benefício), após a cirurgia, fechar os tecidos (gengiva) de forma que não fiquem tensionados para diminuir a probabilidade de deiscência (abertura) da sutura, monitoramento da saúde do periodonto (bolsas periodontais podem ser foco de infecção), reforçar a orientação de higiene. confeccionar ou adequar próteses para que elas permitam a higiene pelo paciente.

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