pacientes especiais

Pacientes especiais

A Odontologia para pacientes com necessidades especiais é especializada em prevenção, diagnóstico e tratamento de pacientes com alteração no sistema biopsicossocial, controlando assim os problemas de saúde bucal desses. Enquadram-se nesse grupo pacientes que tenham malformação congênita, alterações comportamentais e sistêmicas e alterações físicas adquiridas.

Hoje, presenciamos cada vez mais cirurgiões dentistas se informando para poder atender uma gama cada vez maior de pacientes, entre eles, os especiais. Os mais comuns são pacientes com doenças crônicas, como por exemplo, Diabetes, Hipertensão, Cardiopatias, HIV. Ou com alterações sistêmicas transitórias, como a gravidez.

No Brasil, o número de pessoas com algum distúrbio sistêmico vem aumentando cada vez mais e o dentista tem que estar atento, pois, quando não observa a presença dessas alterações, pode ser extremamente perigoso para o paciente.

Na primeira consulta com o dentista, o paciente deve responder a um questionário onde ele concede informações sobre seu estado de saúde geral, tratamentos em andamento, problemas de saúde que já foi acometido, alergia a medicamentos etc.  Com isso, o cirurgião dentista colhe informações para um tratamento adequado e com baixíssimos riscos para o paciente.

Como já foi mencionado, pacientes gestantes ou lactantes também entram no grupo de pacientes com cuidados especiais no atendimento, hoje já se sabe que, com cuidados específicos na hora do atendimento e em momentos certos da gestação, não há problema de se realizar alguns tipos de procedimentos nesse grupo de pacientes, além do mais, a não realização de alguns procedimentos, esses sim, poderia colocar em risco saúde da mãe e do feto. Sendo assim, todo tratamento essencial pode ser realizado, mas procedimentos invasivos e de longa duração, devem ser programados para o período pós parto.

Pacientes Idosos devem também entrar com cuidados especiais, pois muitos deles, por conta da idade, podem apresentar algumas doenças crônicas, principalmente cardiopatias, onde precisamos decidir qual melhor planejamento no atendimento com o paciente.

Podemos considerar que uma parcela significativa da população brasileira representa o grupo que requer cuidados especiais na hora do atendimento odontológico e, para que o tratamento seja oferecido para esses pacientes, é de extrema importância que o Cirurgião dentista conheça as alterações sistêmicas que mais acometem a população.

 

Hipertensão: Todo paciente que passar por atendimento odontológico, antes dos procedimentos, deve ter sua pressão aferida. Quaisquer sintomas que possam estar associados a hipertensão tais como: alterações visuais, tontura e cefaleia também devem ser observados.  É fundamental anotar no prontuário o histórico da sua alteração e sobre a utilização de medicamentos utilizados.

O cirurgião dentista deve tomar alguns cuidados com esses pacientes, como a quantidade de anestesia com adrenalina por exemplo.  Os cuidados odontológicos devem ser eletivos para os hipertensos descompensados.

Para pacientes ansiosos, devem ser evitados atendimentos quando a pressão arterial estiver superior a 140/90mmHg., pois precisamos lembrar que, nesses casos, é provável que a pressão se eleve ainda mais.

 

Cardiopatias: Existem algumas doenças que acometem o coração para as quais o cirurgião dentista deve se atentar na hora de realizar o procedimento, em pacientes que apresentam alguma alteração cardíaca que os coloque com risco potencial para alguma infecção, como por exemplo portadores de valvas, deve ser realizada a profilaxia antibiótica (prescrição de antibioticoterapia 1 hora antes do procedimento).

É altamente recomendável que os cirurgiões dentistas conversem com o médico responsável pelo paciente e juntos avaliem o risco x benefício da intervenção em cada caso, pois as evidências são inconclusivas e qualquer recomendação deve ser feita com muita cautela.

Uma atenção especial deve ser dada também para anestésicos usados, pois deve se evitar os que usam adrenalina como vasoconstritores na sua composição, principalmente aqueles que apresentarem arritmias cardíacas.

Aparelhos como bisturi elétrico e ultrassom estão contraindicados em pacientes que usam marca-passo devido a possibilidade de interferência eletromagnética com a função do  dispositivo.

 

Diabetes mellitus : Pacientes com diabetes devem ser identificados em termos do tipo da doença (tipo 1 ou 2) diagnosticada e das medidas de controle adotadas. Os pacientes diabéticos tipo 1 normalmente usam insulina e são mais instáveis com relação ao controle da glicemia, já os pacientes diabéticos tipo 2, normalmente usam hipoglicemiantes orais e, somente em alguns casos, pode ser utilizada a insulina. Também existe a diabetes gestacional, que ocorre em aproximadamente 4% das gestações e na maioria das vezes reverte para a normalidade ao final da gestação. Deve-se perguntar a esses pacientes sobre possíveis sinais de descompensação como polidipsia, poliúria, polifagia, perda de peso e infecções frequentes. Esses pacientes não conseguem combater de forma eficiente as infecções e a cavidade oral pode apresentar várias alterações, como problemas periodontais, peri-implantite, alteração tecidual exacerbada pela presença de placa bacteriana em lesões de cárie por exemplo. A antibioticoterapia profilática é recomendada sempre que não houver controle rigoroso da doença, e deve se tomar cuidado com anestésicos locais, lembrando também que quase todos pacientes que apresentarem diabetes, pode apresentar hipertensão.

 

Hipertiroidismo/ Hipotiroidismo: O cirurgião dentista deve ficar atento aos pacientes com alterações na produção dos hormônios tireoidianos quando não tratados, ou tratados inadequadamente, porque podem existir alguns riscos durante os procedimentos odontológico. O profissional deve encaminhar para o médico quando percebe a descompensação do paciente. No hipertireoidismo, há restrições no uso de vasoconstritores adrenérgicos e soluções hemostáticas vasoconstritoras adicionadas aos fios de retração gengival.

O hipotireoidismo com sintomas leves não apresenta perigo quando se submete a terapia odontológica, mas se houver grave descompensação, podem haver riscos no atendimento, quando houver necessidade de administração de ansiolíticos ou sedativos, podendo haver susceptibilidade a infecções.

 

Doenças pulmonares: Para pacientes asmáticos, deve haver um cuidado no atendimento, pois uma crise asmática pode ser desencadeada por vários fatores entre eles o sulfito, conservante presente em tubetes anestésicos que contêm vasoconstritores adrenérgicos. Portanto, nesses pacientes, deve-se utilizar anestésico prilocaína com o vasoconstritor felipressina. No consultório odontológico, além do sulfito, pode haver alergia ao látex, metilmetacrilato e ácido acetil salicílico.

O tipo de asma deve ser identificado assim como as medicações utilizadas.  Pacientes com bronquite deve ser identificado, quanto às medicações que ele faz uso, e cuidados com a posição da cadeira e o uso de isolamentos absolutos estão recomendados.

O profissional deve tomar cuidado com os pacientes com tuberculose, pois pode contaminar a equipe se estiver na fase de contágio, uma consulta com um médico deve ser realizada antes de iniciar o tratamento odontológico.

 

Doenças Renais: O cirurgião dentista deve estar em contato com o médico que acompanha o paciente, para saber em que estágio o paciente está e quais medicamentos ou tratamento ele faz. Nesses pacientes, deve-se reduzir a dose máxima por sessão de anestésicos locais e de todos os outros medicamentos. Por haver destruição das plaquetas na hemodiálise, hemorragias durante procedimentos cirúrgicos podem ocorrer, entre outros exames, deve-se solicitar o de contagem de plaquetas.

Alguns medicamentos são removidos durante a hemodiálise, portanto o cirurgião dentista deve se informar antes de escolher a medicação a ser administrada. Nesses pacientes, deve-se monitorar a pressão arterial, mas lembrar que não deve-se medir a PA no braço na qual há fístula arteriovenosa.

 

Doenças autoimunes: Pacientes com Lúpus eritematoso sistêmico estão predispostos a infecções graves, às vezes silenciosas e difíceis de detectar pela ausência de dor e inchaço. Deve se haver contato com o médico que o acompanha para saber os agravos que a doença causou,  se houver comprometimento renal, deve-se avaliar a dosagem mínima necessária de qualquer medicamento, inclusive anestésicos locais. Anormalidades nas valvas cardíacas podem ser encontradas nesses pacientes, portanto, é necessário verificar a necessidade de profilaxia antibiótica em alguns desses pacientes.

 

Gestantes: O conceito mais atual é de que a paciente gestante deve receber atenção odontológica durante todo o período de gestação, principalmente sob o aspecto de prevenção da infecção,  mas deve se haver um bom senso em relação ao atendimento,  fazer procedimentos de prevenção e essenciais, evitar fazer tomadas radiográficas e fazer o atendimento preferencialmente no segundo trimestre. Marcar consultas no final da manhã por causa de enjoos matinais, evitar posição supina na cadeira. Tomar cuidado com a diabetes e a PA das pacientes, sempre verificar antes de qualquer procedimento. Tomar cuidado com anestésicos.

 

Deficiências Físicas

Paralisia Cerebral: alterações no desenvolvimento postural e limitações de movimentos. Deve se conhecer as limitações físicas, mentais, a saúde geral do paciente e sua história médica, fazer consultas curtas, fazer contenção física se preciso, evitar movimentos bruscos e estimulação sonora e visual sem aviso prévio ao paciente, uma vez que essas situações podem desencadear alguma crise.

 

Distúrbio comportamental

  • Transtorno alimentares: Os principais tipos é a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa, ao perder o controle da quantidade usual dos alimentos ingeridos, instala-se o transtorno alimentar. O cirurgião Dentista deve averiguar a presença de sinais e sintomas manifestados pelo paciente anoréxico, como: amenorreia, pele seca e amarelada, intolerância ao frio e hipotermia, bradicardia, hipotensão, dor abdominal e, na cavidade oral, avaliar sinais e sintomas como erosão dental, queilite angular e traumas no palato. Esse paciente deve ser encaminhado para uma equipe multiprofissional.
  • Autismo: Pacientes com autismo, devem ser acostumados com uma rotina no consultório, onde deve ser marcado as consultas os mesmo horários e ser atendidos pelos mesmo profissionais, sendo em consultas curtas e bem estruturadas, lembrar sempre de fazer a técnica “dizer, mostrar, fazer”, reduzir ruídos e luzes .

 

Condições sistêmicas

Epilepsia: O dentista deve ter a anamnese preenchida e ter conhecimento sobre a época inicial da desordem e com que frequência o paciente tem e medicações que ele usa. Atuar com uma equipe multiprofissional. Esclarecer os procedimentos a serem realizados ao paciente, com o intuito de minimizar o medo e a ansiedade, uma vez que o estresse é um fator desencadeante de uma crise epiléptica. É necessário, ainda, proteger o paciente da luz proveniente do foco da cadeira odontológica a qual pode induzir uma convulsão. Chamar socorro caso a crise perdura por mais de 5 minutos e ficar monitorando o paciente até o socorro chegar.

 

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